Um Direcionamento das Grandes Áreas Médicas - Cirurgia Geral

Fala, pessoal! Para você que não acompanhou nossa conversa no evento Coordenadas com o Dr. Rinaldo Barros - cirurgião geral e do aparelho digestivo -, confira aqui os principais pontos trazidos ao longo da conversa.


DECIDINDO PELA CIRURGIA

A escolha da especialidade pode surgir em diferentes momentos e sob várias circunstâncias. Assim, caso você esteja considerando seguir uma carreira cirúrgica, é importante buscar por oportunidades para se aproximar da área. Para tanto, ligas, monitorias, estágios e cursos são mais que bem vindos; mas tenha em mente que, mais importante que o contato com o conteúdo, é a observação da rotina do cirurgião.

Além disso, saiba ponderar a relação entre suas motivações individuais e necessidades reais. A busca pelo contato com a rotina pode te ajudar nesse entendimento, melhorando sua capacidade de refletir sobre o tema. Conhecer essa situação será não só imprescindível para uma boa escolha de carreira, mas também para escolha das instituições que te formarão como profissional e agregarão à sua experiência pessoal.

Portanto, evite os conceitos prontos sobre quais as melhores instituições e fuja dos estereótipos e lugares comuns quando o assunto é especialidade médica e instituições. Afinal, o aconselhado é que você procure questionar a alguém do próprio serviço – de preferência pessoas pertencentes a várias gerações de residentes – acerca da rotina, qualidade das relações interpessoais, dos preceptores, capacidade tecnológica, focos do serviço etc.


CHOQUES DE REALIDADE

Normalmente, os primeiros anos de residência são os mais desafiadores. Não raro, a sobrecarga emocional e de trabalho marcam o estereótipo do R1 – especialmente quando as residências são cirúrgicas. Nesse sentido, procure equilibrar as angústias administrativas e hierárquicas da residência – que, felizmente, são momentâneas – com outras esferas da vida, a fim de alcançar seu objetivo final.

Certamente uma das experiências mais angustiantes do recém-formado é a sensação de responsabilidade sobre a vida de outra pessoa. E, de certa forma, deve ser assim mesmo. Afinal, o medo e a insegurança são grandes motivadores para a prudência e busca por maior competência. Ou seja, tome cuidado com o excesso de confiança.

Não obstante, tenha em mente que – como cirurgião – você tem a responsabilidade de invadir o que há de mais sagrado em alguém: seu próprio corpo com fins em estabelecer uma terapia. Com essa consciência, trate cada oportunidade dentro da cirurgia com o adequado respeito e compromisso.

É comum que existam desconfianças no inicio da trajetória, especialmente em ambientes novos – como em uma residência fora do seu estado –. Para lidar com elas, não abra espaço para desrespeito e invista em sua competência.


A PRESENÇA DA MEDICINA GENERALISTA

Especialmente nos primeiros anos após a graduação, a prática generalista tende a fazer parte do cotidiano de qualquer médico. E não seria diferente para o cirurgião.

Este, ao lidar com cenários de medicina intensiva e emergências deve, constantemente, reconhecer e tratar situações que não estão circunscritas à cirurgia geral, mas se atrelam a assuntos da clínica médica, pediatria e gineco-obstetrícia. Além disso, tenha em mente que a habilidade procedimental é altamente mecânica e treinável, ao passo que a clínica cirúrgica é a parte mais difícil de todo o treinamento, pois como diria Henry Marsh: “mais difícil que saber operar é saber quando não operar”.

Com isso, se norteie pelo pensamento de que “um bom cirurgião é um bom clínico que sabe operar.”


MERCADO DE TRABALHO

Inegavelmente, ainda há espaço no mercado para o cirurgião geral que opta por não se subespecializar. De fato, é comum que esses indivíduos passem mais tempo no serviço para adquirir maior experiência, uma vez que os dois anos da residência são – em maioria das vezes – insuficientes para garantir maior segurança e oportunidades de prática. Pensando nessa situação, o Colégio Brasileiro de Cirurgiões, oficializou essa prática adicionando um ano aos dois anos usuais de formação do cirurgião geral, caso esse opte por não seguir subespecialidade após o R2.

Entretanto, nunca deixe de buscar o aperfeiçoamento pessoal e profissional, uma vez que diferenciais no mercado são importantíssimos para que se evite relações vis de trabalho, ao mesmo tempo em que diversas inovações serão futuramente agregadas à prática do cirurgião (como a cirurgia robótica).


QUALIDADE DE VIDA

Afinal, o que seria essa tal “qualidade de vida”? Esta não se refere a um conjunto de tarefas que trazem maior felicidade ou realização. Isto é, não pode ser vista como um modelo fixo e inflexível. Em vez disso, devemos percebê-la como específica para cada pessoa. Nesse contexto, ela dependerá da felicidade interna (satisfação e prazer pessoal) e das atribuições que você deverá arcar agora e futuramente para alcança-la. Para tanto, sua organização pessoal deve ser pautada em atividades que culminarão mais em felicidade em detrimento do status ou maiores retornos financeiros.

Essa qualidade de vida sim deve pautar suas escolhas, inclusive as profissionais. Portanto, é inadequado decidir por uma especialidade – ou subespecialidade – ao considerar conforto ou retorno financeiro como principais prioridades; faça-o por gosto.


Aqui foi um breve resumo! O que está esperando para assistir esse encontro? Basta clicar no link abaixo.

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