Liga Acadêmica e Internato Médico: é possível trilhar nestes dois caminhos ao mesmo tempo?

Uma coisa extremamente comum na rotina habitual de uma liga acadêmica é o desligamento daqueles acadêmicos que estão entrando no tão esperado internato médico. Já é algo esperado pelas diretorias das ligas e chega, na maioria das vezes, ponto de estranhamento quando um futuro interno opta em permanecer na liga.


O discurso acerca de tal temática permeia na mente dos universitários e chega a existir frases bem comuns pela comunidade acadêmica:

  • Diretorias da liga: “vão sair muitas pessoas neste semestre por causa do internato”;

  • Futuro interno membro de Liga na última RO: “foi ótimo estar com vocês durante esse período, mas vai ser difícil conciliar com o internato”;

  • Candidato à PROSEL: “semestre que vem, vou fazer o prosel daquela liga porque vai sair muita gente que tá indo pro internato”;

  • Calouro: “vou fazer liga no início para no internato ficar livre”.


Não sou nenhum vidente, mas com toda certeza, você já deve ter escutado ou pensado em uma dessas frases ao longo de sua vida acadêmica. Diante disso, com todo esse “pensamento influenciador”, chegamos a grande questão... é possível conciliar a participação em liga acadêmica com as atividades do internato?


A resposta é: DEPENDE!


As diretrizes curriculares nacionais para o curso de medicina determinam que ao longo da graduação deva existir, como parte integrante, um período de estágio curricular obrigatório de formação em serviço: o popular internato médico.

As práticas supervisionadas acontecem durante as manhãs e tardes dos dias úteis e, por vezes, aos finais de semana. Geralmente, o turno da noite é poupado (exceto por provas, aulas extras, plantões específicos), tendo turnos livres para estar diretamente vinculado a uma liga, já que essencialmente acontecem nestes períodos. Ou seja, horário livre eu tenho, é só isso?


A resposta é (obviamente): NÃO!


Quando redigi a primeira pergunta acima sobre conciliar liga e internato, não sei se me expressei da melhor maneira. A questão aqui e que todos nós alunos devemos refletir é... vale a pena o interno fazer parte de uma liga durante o internato?


A resposta é: REFLITA!


Confesso que não é um questionamento de decisão fácil! Pensando nisso, vou elencar os principais pontos envolvidos para esta decisão.


PONTOS INTERESSANTES

  1. Temática da liga: caso o tema da sua liga seja geral, direcionado para uma área que deseja seguir ou, até mesmo, não visto durante a sua graduação, pode ser que seja interessante para você continuar. Vale ressaltar que associado a isso, a estruturação das ações deve contar também. “Ah... o tema é bom, eu gosto, mas não tá me acrescentando”. É o momento de repensar!;

  2. Sessões práticas com profissionais: não é nunca desmerecendo as sessões ministradas por nós alunos. Mas a situação de agora é que você precisa de pessoas que vivenciam a rotina em prática médica, sendo os professores essenciais para apresentar tomada de decisões e esclarecer dúvidas;

  3. Questões de residência médica: veja se, dentre os propósitos da Liga, está a resolução de exercícios de provas de residência médica. O mercado vem exigindo especializações pelo egresso, sendo a residência médica um contexto que muitos de nós passaremos. Discutir com colegas questões pode ser interessante no processo de aprendizagem;

  4. Amor; paixão; prazer: sentimentos positivos podem influenciar e fazer com aquele espaço, por vezes, seja um ambiente de descontração e relaxamento também. Isso propicia aquele famoso “gás” de motivação para o dia-a-dia.


PONTOS QUE VALEM A PENA REFLETIR

  1. Carga horária de ligas/eventos de liga: não é legal que você esteja numa liga durante o internato apenas para pegar certificado. Isso deveria ter ocorrido em momentos anteriores do curso!;

  2. Cargos de diretoria: estar vinculado com algum cargo vai demandar tarefas, importantes para o caminhar da liga, que não poderão ser abdicadas. Tente ficar apenas como membro (ver no estatuto condições para sênior) para que você tenha um tempo maior para o seu estudo pessoal;

  3. Estágios: se você pretende permanecer na Liga só por conta de estágios, você precisa rever isso. Basicamente, todos os seus turnos estarão ocupados, não alinhando com outras práticas extracurriculares;

  4. Pesquisa: a grande maioria das ligas não seguem uma linha de pesquisa muito forte. Se você pretende escrever artigos é interessante olhar um grupo de pesquisa (ou permanecer no grupo de pesquisa caso já faça parte). Alguns processos seletivos de residência médica pontuam produção científica.


Um outro ponto muito importante a ser levado em conta é o seu tempo. As atividades práticas gastam um grande esforço físico e mental. Qualquer tempinho livre pode ser interessante para descanso do corpo e da alma. Nossa saúde mental precisa estar bem para que possamos fazer tudo bem também.


Neste texto, trago reflexões para que não tenhamos um pensamento patognomônico de que liga e internato não combinam. Coloque os pontos na sua balança pessoal, alinhe os seus ideais e siga a sua trilha. Existem caminhos que podem ser seguidos simultaneamente e terão “andarilhos” felizes em ambas estradas.