E a Pressão Arterial Diastólica?

Disfunção sistólica, impulsão sistólica, hipertensão sistólica isolada... existem vários exemplos são para nos mostrar que, na grande maioria das vezes, os holofotes da nossa atenção recaem somente sobre a pressão arterial sistólica.


Vocês acreditam que, no ano de 2000, houve um movimento de “abandono diastólico” promovido pela National High Blood Pressure Education Program? Toda essa quase exclusividade sistólica era sustentada por evidência de qualidade na época, pelo Framingham Heart Study (1980).

Pois é, e essa negligência da pressão arterial diastólica se mantém até os dias recentes, já que em 2017, na diretriz da American Heart Association (AHA) e American College of Cardiology (ACC), é indicado não considerar a pressão diastólica como preditor de risco cardiovascular.


Diante disso, Alexander C. Flind, et. al. resolveram se aprofundar no assunto através de um estudo publicado em julho, na New England Journal of Medicine. Seu objetivo principal era determinar se uma análise isolada da pressão arterial sistólica e da diastólica poderia predizer desfechos cardiovasculares.


Para isso, realizaram uma coorte retrospectiva com mais de um milhão de pacientes, com um total de 36.784.850 aferições de pressão, sendo 22 a mediana do número de aferições por paciente (IIQ = 13-36)! O desfecho primário adotado foi a ocorrência de IAM ou AVC durante o período de observação, sendo que a morte não foi incluída como parte do desfecho primário.


No total, ocorreram 24.681 infartos, 16.271 AVCs isquêmicos e 3334 AVCs hemorrágicos. Na regressão logística multivariada, o resultado foi de que uma pressão sistólica alta isolada (≥140 mm Hg) estava associada com os eventos adversos (HR = 1.18; 95% IC = 1.17 – 1.18; p < 0.001). Da mesma forma, uma pressão diastólica alta isolada (≥90 mm Hg) também estava associada independentemente com o desfecho escolhido (combinado de AVC/IAM): HR = 1.06; 95% IC = 1.06 – 1.07; p<0.001). Confira nos gráficos as associações univariadas (aparece como unadjusted) e multivariadas (aparece como adjusted):




Este estudo permite a conclusão de que a pressão arterial sistólica e a diastólica podem prever eventos adversos de forma isolada, muito embora haja um maior efeito da pressão sistólica. Ainda assim, é inapropriado, na prática clínica, a avaliação somente da sistólica para o tratamento da hipertensão arterial.


Ah, e falando nisso, não esquece de conferir nosso post sobre a hipertensão, você pode se aprofundar mais no assunto por lá!


Até a próxima!