Adeus, Enxaqueca!

Nós temos certeza de que você, leitor assíduo do SYNAPSE, conhece alguém que sofre da clássica enxaqueca! É uma desordem neurobiológica crônica que afeta quase um bilhão de pessoas no mundo.


Nunca subestimem a tal “dorzinha de cabeça”: cerca de um terço dos pacientes que sofrem da condição não respondem bem aos medicamentos. 56% dos portadores não estão satisfeitos com a medicação em uso e mais de 80% das pessoas relatam impacto significativo na qualidade de vida: relapsos, insatisfação com o tratamento, sintomas associados, alívio incompleto, etc.


Diante disso, Richard B. Lipton, et. al. resolveram se aprofundar no assunto através de um estudo publicado em julho, na New England Journal of Medicine e nessa semana, no The Lancet. Seu objetivo principal era comparar a eficácia, segurança e tolerabilidade de um novo medicamento (Rimegepant) com o placebo no tratamento da migrânea aguda.


Para seu estudo, realizaram um ensaio clínico randomizado, duplo-cego, fase 3, com um número final de 679 pacientes designados ao tratamento e 689 ao grupo controle. O desfecho primário adotado foi o livramento da dor e o livramento do sintoma associado à enxaqueca que mais incomodava (fotofobia, náusea, fonofobia), mas muitos outros desfechos secundários foram analisados, como vocês podem ver na imagem:



Este medicamento apresentou resultados promissores no tratamento da condição. Após 2 horas da ingestão do medicamento, Rimegepant foi superior ao placebo no livramento da dor: 21% x 11%; p < 0,0001; RAR = 10% (95% IC = 6 – 14). Esta superioridade também ocorreu no livramento do sintoma associado mais incômodo após 2 horas: 35% x 27%; p = 0,0009; RAR = 8% (95% IC = 3 – 13). Além disso, Rimegepant foi superior em todos os desfechos secundários adotados, incluindo alívio da dor, habilidade de funcionamento normal após 1 hora, dentre outros. Excetuaram-se apenas livramento da náusea e relapso da dor.

O presente estudo consegue, de forma pragmática, cumprir seu objetivo, ao nos mostrar que o Rimegepant oferece excelente segurança, tolerabilidade e eficácia – características importantíssimas para os portadores de migrânea. É importante destacar também a questão do alívio a curto prazo, pois costuma ser o que mais impacta na satisfação dos pacientes.


Deste modo, os resultados encorajadores deste estudo fazem com que ele já esteja aguardando aprovação pela Food and Drug Administration, a agência de vigilância e saúde dos Estados Unidos, para seu uso ser liberado.


Por isso, fica aqui o “aguenta firme” da equipe do SYNAPSE para os portadores de enxaqueca que aguardam inovações na indústria farmacêutica, pois elas já estão a caminho.


Até a próxima!